Como se encontrar na escrita – Ana Holanda

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Meu primeiro contato com os textos da Ana Holanda foi por meio da revista Vida Simples. Em maio de 2018 comprei minha primeira revista, desde então me tornei fã,  tendo adquirido quase todos os exemplares até agora.

Ana, que era editora chefe da revista, trazia seu texto no Carta ao leitor, me encantei com sua forma de escrita, ela iniciava seu texto contando uma história sua que tinha a ver com o tema de capa e assim já nos envolvia para querer lê-lo.

E foi através de Vida Simples que vi, como dicas de leitura, seu livro “Como se encontrar na escrita – o caminho para despertar a escrita afetuosa em você”, procurei saber logo sobre ele e o adquiri. Quando o livro chegou quis ler rapidamente, pois acreditava que ele traria fórmulas mágicas que fariam eu escrever mais e mudar minha escrita da noite para o dia, doce ilusão!

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Fórmulas mágicas

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Foto por Jakob em Pexels.com

Que turbilhão de sentimentos temos sentido nos últimos dias, medo, angústia, frustação, ansiedade, tristeza, preocupação, já são dois meses em casa e a cada dias as informações mudam nos causando mais insegurança, é quase impossível não ficarmos preocupados com tudo que está acontecendo e as crianças sentem também.

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Ser feliz

 

Ao ver Luana e Mariana brincarem jogando água em si mesmas com copos pensei no quanto as crianças não precisam de muito para ser feliz, o sorriso e a gargalhada vieram fácil e como disse a Luana nesse dia: “esse foi o melhor dia da minha vida!”, ela diz isso toda vez que se diverte muito. Graças a Deus ela tem dito isso com uma certa frequência.  Davi também tem o “sorriso frouxo”, dá gargalhada com um episódio de seu desenho favorito e ri sozinho enquanto inventa estórias com seus brinquedos.

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As coisas que você só vê quando desacelera – Haemin Sunim

– Mãe! Mãe! Manhê! – Oi Luana! – Me dá um beijo? – Mãe! Mãe! Manhê! – Oi Lu! – Eu te amo! Essa é a tática que Luana usa para eu parar durante o dia e dar atenção a ela. Mariana já fala: “xenta mamãe ati”, pedindo para eu sentar ao lado dela para assistirmos juntas o desenho. Já Davi chama a minha atenção com suas estórias e teorias, algumas inventadas, outras tiradas de algum desenho educativo (como ele diz).

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Mãe maravilha

Não, eu não sou mulher maravilha, então não sou mãe maravilha. Por mais que eu tente fazer tudo sozinha, chega um momento que não dá mais, o corpo e a mente dizem chega e tenho que parar.

O duro é que o momento do pare não é tão fácil perceber, e que por mais que eu tente negar as crianças não deixam. Quando os filhos estão nervosos, estressados, carentes e/ou tristes o problema pode não estar neles.

Nos últimos dias as crianças estavam estressadas, briguentas e dengosas e foi só quando em um momento que perdi a paciência e gritei com eles que percebi que eu era o problema, errei ao fazer isso, porque eles só estavam refletindo o meu estado emocional.

Aí vem o que é prioridade, por mais que eu queira fazer mil coisas ao mesmo tempo, eles vêm me lembrar o que deve ser prioridade ao clamarem por atenção. E eles merecem não só a minha atenção, mas também o meu melhor, a melhor mãe do mundo. Não uma mãe que queira dar conta de tudo e sim uma que saiba que há tempo para tudo e que nesse momento eles devem e precisam ser a minha maior prioridade.

Eles precisam de uma mãe que não é perfeita, que tem consciência que o feito é melhor que perfeito, não que seja feito de má vontade, mas que há coisas que precisam somente serem feitas. Uma mãe que erra, mas que sabe reconhecer seu erro e que se esforça para ser melhor todos os dias, por eles e por ela mesma. Uma mãe que apesar dos seus milhares de defeitos, educa-os de forma a aprenderem que todos os dias temos a oportunidade de mudar.

Não, eu não sou mãe maravilha, apesar de amar dar e ganhar beijos e abraços, já os neguei em um momento de irritação e estresse. Quando estou assim, percebo que o melhor a fazer é me afastar, pois quando reajo automaticamente sem pensar, as chances da bronca ser maior do que deveria ser é muito grande, e ao invés dela ser educativa, deixa feridas que demoram a cicatrizar.

Apesar de ser cabeleireira, manicure, costureira, professora, cozinheira, doméstica, psicóloga e demais papéis que uma mãe desempenha para seus filhos, não sou mãe maravilha, pois tem hora que não consigo continuar e preciso puxar o freio de mão. Ao estabelecer prioridades vem junto renúncia, compreensão e empatia, só vou conseguir que meus filhos saibam o significado dessas palavras, caso eu as pratique de forma natural e amável.

Não, eu não sou mãe maravilha, por mais que eu queira saber de tudo, saber sempre como agir, por vezes não sei o que fazer. Já fiz terapia para encontrar respostas. Soluções procuro-as nos livros, nem sempre as encontro, aí uso meu instinto materno, sempre funciona? Infelizmente não, mas quando agimos com amor, no fim tudo dá certo.

Meus filhos estão crescendo e estão vendo que apesar da mãe deles possuir alguns poderes como a força para carregar os filhos, bolsa e sacolas tudo ao mesmo tempo; o olhar que consegue detectar a distância que tem algo de errado com eles; a agilidade para salvá-lo antes de cair, tirá-los do perigo; a coragem para enfrentar o que for necessário para protegê-los; meu maior poder é de acalmar com um abraço e curar com um beijo.

Sou uma mãe em construção, já mudei muito ao desempenhar esse papel, sei que há ainda muito a fazer, sem fórmulas e nem regras rígidas, vou seguindo, um dia de cada vez, descobrindo todos os dias o que é ser mãe, aprendendo mais do que ensinando.

Meus filhos estão dizendo através de suas atitudes que eles não querem uma heroína, e sim somente uma mãe. Uma mãe que sente no chão para brincar, que pinte, que assista desenhos e filmes com eles (por mais que seja a milésima vez que eles assistam o mesmo filme), que esteja totalmente presente, de corpo e alma. Enfim, uma mãe humana, que seja simplesmente mãe .