FELICIDADE Modo de usar – Cortella & Karnal & Pondé

cortellaLi esse livro em uma sentada, não só por ser um tanto fino e de fácil leitura, mas pela tamanha reflexão que me trouxe e minha ânsia de querer “devorá-lo” rapidamente.

O livro é um bate papo entre três pensadores: Mario Sergio Cortella, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé sobre felicidade. Um papo “cabeça” onde cada um a seu modo e citando alguns filósofos dizem o que consideram felicidade.

Algumas vezes me vi parando de ler para refletir o que diziam, será que felicidade é isso mesmo? o que é felicidade para mim? eu sou feliz? é possível ser feliz o tempo todo? o que me deixa feliz? São algumas perguntas que fiz internamente e conforme a leitura, fui encontrando as minhas respostas.

Para Cortella não podemos ser felizes o tempo todo, isso não é uma opção, todos temos dificuldades, portanto, felicidade não é algo contínuo e sim uma ocorrência:

“Felicidade não é um lugar aonde você chega; felicidade é um horizonte e, obviamente, inatingível como uma cirunstância de permanência. Felicidade não é algo em que você, ao desejar, ao atingir, senta, repousa, relaxa e pode se deleitar.”

Às vezes nos iludimos achando que temos que ser felizes o tempo todo, mas esquecemos que a vida não é uma reta, ela tem seus altos e baixos e está tudo bem se sentir triste de vez enquando, isso não quer dizer que somos infelizes, e sim que naquele momento a felicidade pode não estar se manifestando.

Já para Pondé a felicidade tem a ver com misericórdia, para ele é impossível ser feliz sem ela, sem reconhecer o tamanho de sua culpa, de sua imperfeição, sem experimentar o perdão, perdoando e sendo perdoado:

“Eu relaciono a possibilidade de ser feliz a uma certa capacidade de reconhecer em si mesmo a impossibilidade da plenitude, a impossibilidade da perfeição, a impossibilidade do bem absoluto e a impossibilidade de se identificar esse bem.”

Para ele pessoas perfeitas são infelizes. O que mais vemos nas redes sociais são pessoas perfeitamente felizes, que nos dá a falsa impressão que são felizes o tempo todo, que suas vidas são perfeitas, mas todos sabemos que não é bem assim, ser e parecer feliz são coisas diferentes. Pondé diz ainda que felicidade tem a ver com autenticidade e coragem. Autenticidade de viver aquilo que deseja e coragem para viver suas paixões.

A perda nos faz dar valor ao que tínhamos, para Karnal toda vez que perdemos algo é na dor que criamos a consciência da felicidade que tínhamos:

“Se eu perco a saúde, se eu perco alguma coisa que eu gostava, o amor ou qualquer coisa, eu de fato só consigo ser feliz no momento em que eu tenho consciência dessa perda.”

Impossível nesse momento não pensar nessa pandemia que estamos vivendo, quantas pessoas perdendo a vida, a saúde, o trabalho, a liberdade, são inúmeras perdas, mas no meio de tudo isso pode haver ganhos, como por exemplo dar mais valor no dia de hoje, no que realmente importa, modificando nossos corações para assim modificar nossas vidas.

Foi somente com a perda que algumas pessoas puderam reconhecer que eram felizes e não sabiam, que sim a felicidade já se fez presente em sua vida, mas por algum motivo ela não conseguia ver.

Segundo Karnal a felicidade tem a ver com a maneira intensa que me entrego a esse momento, não dependendo da opinião alheia e sim de meu exame diário de consciência. Cortella ainda complementa dizendo que a ignorância não é feliz, a felicidade está relacionada a consciência da própria felicidade.

Que oportunidade maravilhossa estamos tendo de colocar lentes de aumento em nossa vida e encontrar a felicidade que existe. A felicidade mora em mim, ela está no Deus que mora no meu coração, nos meus filhos, no meu marido e na Estrelinha, no céu azul, na minha música preferida, na voz dos meus pais ao telefone, na mensagem das minhas irmãs e das amigas, na saudade da minha família que mora longe, nas lembranças do passado e nos sonhos do futuro, está no hoje, no agora, mesmo quando me sinto triste e acho que ela não está ali, ela fica só esperando uma pequena oportunidade para que eu veja o quanto já sou feliz.

Que esse período difícil que estamos todos vivendo sirva para fazermos um exame de consciência, a forma como eu vivia ainda faz sentido? será que eu era feliz e não sabia? o que importa em minha vida? e tantas outras reflexões que podemos e devemos fazer para que possamos fazer as modificações necessárias na nossa vida e sermos  felizes.

 

 

 

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